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Cookie de terceiro: como funciona e por que some

Publicado em 24 de agosto de 2026 · atualizado em 2 de setembro de 2026

Cookie de terceiro, ou third-party, é o cookie gravado por um domínio diferente daquele que o visitante está vendo na barra de endereços. Se a pessoa está em sualoja.com.br e um recurso carregado de doubleclick.net grava um cookie no domínio dele, esse cookie é de terceiro. Como o mesmo domínio aparece em milhares de sites, ele permite reconhecer a mesma pessoa entre sites diferentes, que é a base histórica do remarketing.

O mecanismo, passo a passo

A página carrega um recurso externo: um script, um pixel de imagem, um iframe. A requisição sai para o domínio do terceiro, que responde com Set-Cookie no domínio dele. Em outra visita, a outro site, o mesmo terceiro recebe esse cookie de volta e liga as duas visitas.

Para o site que hospeda, há uma consequência desconfortável: cada terceiro carregado recebe o IP e o user agent do visitante antes de qualquer clique no banner. Uma requisição de rede executada já entregou dado.

Por que os navegadores estão fechando a porta

O mecanismo vem sendo restringido pelos próprios navegadores, por motivos de privacidade e de concorrência:

  • Safari bloqueia cookies de terceiro por padrão há anos, com o Intelligent Tracking Prevention.
  • Firefox isola cookies por site com a Total Cookie Protection, o que quebra o reconhecimento entre sites.
  • Chrome anunciou a descontinuação em 2020, adiou três vezes e desistiu em julho de 2024: o cookie de terceiro continua ligado por padrão, e a Sandbox de Privacidade virou um conjunto de APIs opcionais.

O efeito já aparece no relatório de hoje, independentemente de datas: público de remarketing menor, janela de atribuição mais curta e conversão que o painel não enxerga.

O que entra no lugar

Três caminhos vêm substituindo o mecanismo, e nenhum deles dispensa consentimento: identificadores primários com medição do lado do servidor; envio de dados próprios pelo anunciante, sempre com base legal para isso; e modelagem estatística, como a que o Google Consent Mode alimenta com pings sem cookie. Muda a técnica de mensuração, e a obrigação de perguntar antes continua igual.

As portas de entrada que sobram no seu site

Mesmo sem redes de anúncio, sobram caminhos: iframe do YouTube ou do Google Maps, player de vídeo hospedado, widget de chat, formulário incorporado, mapa de calor, fonte ou ícone servido por CDN externa. Cada um é uma requisição a outro domínio, com o mesmo efeito.

O vídeo do YouTube na página de produto

Uma página de produto com vídeo do YouTube grava cookie de publicidade antes de qualquer clique, inclusive quando o visitante nem dá play. Bloquear o iframe até o aceite de marketing, substituindo-o por um aviso de conteúdo bloqueado que reabre as preferências, resolve o caso sem tirar o vídeo do ar. Usar youtube-nocookie.com reduz o rastreamento sem eliminá-lo.

Bloqueio de navegador não é prova de consentimento

Concluir que o banner virou desnecessário porque os navegadores já bloqueiam ignora três coisas: o Chrome ainda concentra a maior parte do tráfego brasileiro e o comportamento dele muda por decisão da empresa; o bloqueio do navegador não produz prova de consentimento, que é o que a LGPD cobra; e a migração para cookie primário e medição do lado do servidor não altera a finalidade do tratamento, então a base legal continua sendo consentimento.

O raciocínio simétrico também aparece: acreditar que "sem cookie de terceiro não há dado pessoal". Identificador que permite reconhecer um visitante é dado pessoal, esteja ele em cookie primário, em localStorage ou num parâmetro de URL.

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O que o seu site carrega antes de alguém aceitar?

O scanner abre algumas páginas como um visitante anônimo e lista os cookies, scripts e iframes de terceiros que disparam sem consentimento nenhum.

Sem cadastro e sem cartão. O resultado abre numa página de endereço próprio, que não é indexada e que ninguém encontra sem o link.