CMP: o que faz uma plataforma de consentimento
CMP é a sigla de consent management platform, ou plataforma de gestão de consentimento. É o sistema que pergunta ao visitante o que ele aceita, impede que os rastreadores rodem antes da resposta, comunica a escolha às ferramentas de marketing e guarda a prova de que tudo isso aconteceu. São quatro funções, e apenas a primeira aparece na tela.
De onde vem a sigla
Não é termo da LGPD. Vem do mercado de publicidade digital europeu, onde o IAB Europe criou o Transparency and Consent Framework (TCF) para padronizar como sites e anunciantes trocam sinais de consentimento. A certificação de CMP dentro do TCF interessa a publishers que monetizam tráfego europeu com AdSense, Ad Manager e AdMob. Para o anunciante brasileiro comum, ela não altera nenhuma exigência da LGPD.
O que fica atrás do banner
| Função | O que resolve | O que acontece sem ela |
|---|---|---|
| Inventário | Saber quais cookies e scripts existem | Você bloqueia o que não conhece: nada |
| Bloqueio prévio | Segurar tags até o aceite | Cookie criado sem consentimento |
| Sinalização | Enviar Consent Mode v2 e eventos ao GTM | Mensuração e remarketing degradados |
| Registro | Log auditável de cada escolha | Sem prova numa fiscalização |
| Revogação | Reabrir preferências a qualquer momento | Descumprimento do art. 8º, § 5º |
| Versionamento | Reapresentar o banner quando a política muda | Consentimento vencido valendo como novo |
Como o bloqueio funciona por dentro
Um banner que apenas grava a resposta e não segura os scripts deixa o GA4, o Meta Pixel e o Hotjar criarem cookies no primeiro milissegundo da visita. Quando o visitante clica, o cookie já existe, e nenhuma escolha posterior desfaz a coleta que aconteceu.
Bloqueio de verdade se faz por quatro mecanismos complementares: a convenção
type="text/plain" data-category="marketing" nas tags estáticas, que impede a requisição de
rede; a interceptação de document.createElement e do setter de src, que pega o que o
JavaScript injeta depois; a reescrita de document.write, que pega a tag que o site legado
escreve durante o parse; e um MutationObserver, que impede a execução do que passou pelo
parser, ainda que o arquivo já tenha sido pedido.
Cobrir o site sem derrubar o checkout
Numa loja WooCommerce típica, os rastreadores entram por caminhos diferentes: um pelo plugin
de analytics da loja, outro colado no header.php por uma agência antiga, um terceiro
injetado pelo GTM. A CMP precisa cobrir os três sem tocar no que é essencial. Sessão,
carrinho, gateway de pagamento e antifraude ficam sempre liberados, porque derrubar o
checkout para bloquear um pixel troca um problema por outro maior.
No Concedo, o Google Tag Manager é classificado como necessarios de propósito: ele é
contêiner, não rastreador. O que ele injeta cai na interceptação, e o Consent Mode v2 cuida
do lado do Google.
O que fica de fora do escopo de uma CMP
Ela cuida do consentimento e da prova dele. Fora do escopo ficam a política de privacidade e os termos, o canal de atendimento aos direitos do titular, o contrato com fornecedores que recebem dados e a base legal dos tratamentos que não passam pelo navegador, como cadastro, pedido e folha de pagamento. Nenhuma CMP fecha sozinha o programa de conformidade de uma empresa.
Dois testes de dois minutos
Escolher a CMP pelo visual do banner deixa de fora tudo o que determina o resultado: se o
bloqueio pega script injetado dinamicamente, se o consent default sai antes de qualquer
tag, se o log é exportável e se o histórico é integral ou some depois de alguns meses. Duas
verificações resolvem a dúvida:
- Abra o site em janela anônima, recuse tudo, navegue e confira se existe algum
_ga,_fbpou_ttpem Aplicativo, Cookies. - Peça a exportação de um consentimento e veja se ela traz data, categorias, versão da política e página de origem.
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